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Friday, April 25, 2008

"A cidade é nossa"

O artista Hamilton Yokota, o Titi Freak, fala sobre intercâmbio cultural, graffiti e a exposição Japan Pop Show, de que é curador junto com Yumi Takatsuka. A exposição reúne doze artistas nisseis e japoneses e pode ser visitada até dia 30 de abril, na galeria Choque Cultural.


> Brasil/Japão:

O que tu consideras a grande diferença entre o cenário da arte de rua daqui e do Japão? Se puderes, contextualiza os dois, por favor.

São iguais, mas são diferentes! O graffiti tem a mesma idéia em qualquer lugar que seja, é fazer o seu trabalho com uma lata de spray na rua, legal ou ilegal! O que difere os artistas são os estilos, como eles colocam o trabalho deles com a rua, muitas vezes eu gosto de compor meu trabalho com o cenário que eu vejo na cidade.
Antes era complicado pintar na rua, hoje tá mais tranqüilo, depois de muita mídia em cima. No Japão nao rola isso, ou é ilegal ou legal, se pegarem você pintando algo que não tem autorização é multa brava ou cadeia!

Qual a importância de misturar tipos diferentes de arte em uma só exposição?

Exatamente isso, misturar e compor junto inúmeros estilos de uma certa idéia e que flua bem... e a idéia é as pessoas perceberem isso...

Fora a ascendência, que outros motivos te levam a essa aproximação com o Japão em específico?

A minha familia e minha cultura.

Há outros países com que tu achas que seria legal fazer esse intercâmbio?

Vários, acabei de voltar de um intercâmbio cultural de arte contemporânea da Franca... se você acha importante e acha que vai somar, tá valendo!


> Exposição:


Como está sendo a recepção da exposição, por parte do público?

A recepção era o que a gente estava esperando, pois não foi um trabalho do nada, foi pesquisado e montado certinho... e as pessoas que estão indo lá sabem que nessa expo iram encontrar essa
nova visão de artistas e usam e se integram no urbano...

Existe algum projeto que dê continuidade à idéia de unir as culturas brasileira e japonesa?

Por enquanto não! É muito corre! ^^


> Graffiti:

Até pelo teu h
istórico anterior ao graffiti, já trabalhaste profissionalmente com este tipo de arte. Há divergências de opinião sobre o uso comercial do graffiti. O que tu pensas disso, quais os prós e contras e como lidar com a situação?

Você tem que ter um certo controle daquilo que você está fazendo, se você quer fazer tudo e aparecer em qualquer lugar na mídia, vai chegar uma hora que seu trabalho, ou sua imagem vai se desgastar.
Eu não curto muito isso! Trabalho é trabalho, o que eu faço pra agência ou galeria, é trabalho; meu graffiti tá na rua, o que eu faço sem compromisso com ninguém...
Eu tento fazer os trabalhos que eu possa fazer, o que eu faço é usar o meu estilo. Mas isso é agora, depois de 20 anso de carreira como ilustrador e desenhista HQ...

Tens alguns exemplos de instalação no teu currículo. Como achas que diferentes tipos de arte de rua podem se complementar?

Tudo que está na rua se conversa... por isso!

Na maioria dos casos, falta apoio a artistas que se dedicam a mani
festações ditas marginalizadas. Como tu vês a situação?

Eu sei lá! Eu vou pra rua e faço o que eu quero, sozinho ou não! A cidade é nossa!

Tu achas que a aceitação do graffiti tem aumentado, visto o número de graffiteiros que vêm sendo reconhecidos?

Lógico! A molecada hoje quer ser graffiteiro, algumas mães falam que gostariam que o filho fosse um artista assim...
Tá tudo loko! Mudou tudo! Quando criança eu queria ser médico ou bombeiro...

Qual tua visão sobre os problemas legais referentes a arte de rua?

Poxa! Eu não tô muito a par dessas coisas, se tem problema ou não, ou se meu trabalho vai dar problema... se você pensar assim você não faz! Por isso, se tá com vontade vai lá e faz.



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Wednesday, April 23, 2008

Atrack volta à Argentina com nova formação

Igor Paiva, guitarrista da Atrack - banda de hardcore melódico de Porto Alegre/RS - fala sobre a nova formação do grupo e a turnê na Argentina.


NOVA FORMAÇÃO

A Atrack mudou recentemente de formação. Podes falar um pouco disso?

Sim! Era algo que já estavamos pensando havia um bom tempo. Foi um tanto estranho materializar o que já pensávamos desde o início de 2007 pois sempre que abordávamos o assunto tratávamos como uma piada. Foi então que a concepção surgiu de forma real no momento que entramos em estúdio e iniciamos a tocar as músicas nóvas. Pressentimos que o vocal do Felipe não soaria tão bem quanto nos trabalhos anteriores. Foi então que surgiu a Chris no nosso caminho.

Como foi o processo pra encontrar uma pessoa que se encaixasse bem em um estilo de som que a banda já fazia?a

Na verdade, deixamos sempre bem claro que seríamos radicais na mudança que faríamos. Foram 10 anos de Hardcore e Punk Rock melódicos. Sentimos a necessidade da mudança mas reservando a essência. Fizemos alguns convites mas não chegamos a realizar "testes" com as pessoas que convidamos, até porque algumas sentiram-se um tanto intimidadas...

Tudo foi uma questão de não estar-se aberto para o novo. Felizmente a Chris aceitou o desafio. Sabiamos que ela já tinha uma outra Banda (Blasé) e procuravamos uma mulher com as caracteristicas dela: na nossa faixa etária de idade, timbre de voz, e presença. Pensamos em tudo isso para evitar rotulações que são inevitáveis. Para nossa sorte ela aceitou o desafio e está mandando muito bem pois tem uma personalidade forte e gosta de desafios.


ARGENTINA

Vocês voltaram recentemente da Argentina, e essa não foi a primeira vez que estiveram lá. Podes me falar sobre tocar no exterior e sobre como foi esta última turnê, já com a Chris?

A Argentina é uma vibe diferente daqui do Brasil. O povo lá é bem menos preocupado com algumas coisas com que os brasileiros se preocupam muito. Além de cordiais e demostrarem um respeito enorme pelos brasileiros, os argentinos são devotos do underground no sentido mais roots da palavra. Aqui temos uma galera mais preocupada em aparecer no cenário e valorizar o que é vindo de fora. Típico de um cenário onde 80% do público que frequenta os shows são formados por pessoas de bandas.

Lá não funciona dessa forma. Os shows são baratíssimos para se frequentar. As pessoas comparecem e assistem a todas as bandas.

Fomos muito bem recebidos nas duas vezes. A primeira marcou uma grande presença para o nome da banda nos lugares em que tocamos. Digo com toda certeza que dessa vez agregamos mais e a Chris foi grande responsável por isso, pois, teve um país de lingua diferente como show de estréia e nas 4 apresentações mandou muito bem sem se importar com fatores extra. Tenho certeza que por outubro/novembro, quando voltarmos, será ainda melhor e agora com uma identidade já estabelecida.

Rolou um intercâmbio com bandas de lá, para que venham tocar no Brasil?

Está para rolar! Creio que os nossos amigos do Desperta Tu Miente virão até o final do ano. Outros grandes amigos de uma banda chamada Inadaptadoss vieram recentemente e fizeram uma tour com o pessoal da Jay Adams. Creio que assim as coisas vão acontecendo. A verdade é que existem bandas muito boas na Argentina. Deveríamos dar mais atenção a um cenário que é bem interessante como o deles, até porque é bem surpreendente o quanto eles conhecem do cenário brasileiro.


MÚSICAS NOVAS

As faixas do single "Eu, cinema" estão no MySpace; já existem planos para CD novo?

Sim!!! Serão 10 faixas inéditas. Estão quase todas prontas. Faltam apenas alguns arranjos para a voz. Acreditamos que até o final de maio estaremos com tudo pronto!

Vai rolar turnê de lançamento?

Acreditamos que sim! Tem algumas coisas já sendo marcadas para o segundo semestre já. Aos poucos estamos enchendo a agenda!


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